segunda-feira, 21 de agosto de 2017

RAUL SEIXAS - O INÍCIO, O FIM E O MEIO

2 comentários:

Há 28 anos, no dia 21 de agosto de 1989, um dos nomes mais importantes do rock brasileiro, um grande pioneiro do gênero em território nacional era encontrado morto aos 44 anos em seu apartamento. Raul Seixas despontou no mundo da música em 1968, com seu álbum de estreia Raulzito e os Panteras. Entretanto, só ganhou notoriedade de crítica e de público com as músicas do álbum "Krig-ha, Bandolo!" de 1973, como "Ouro de Tolo", "Mosca na Sopa" e "Metamorfose Ambulante".
Raul protagonizou histórias antológicas durante toda sua carreira. Muitas, quase inacreditáveis, como quando, em maio de 1982, foi tido como impostor de si mesmo num show em Caieiras, São Paulo. Não tinha nenhum documento e quase foi linchado. Preso, foi espancado pelo delegado e por policiais. Em 1983, lançou um LP com seu nome e o livro "As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor". Ganhou seu segundo disco de ouro e novos sucessos apareceram. Em 84, participou do especial Plunct Plact Zum, na Rede Globo, e lançou o LP "Metrô Linha 743". Mais alguns lançamentos e uma certa dificuldade de manter a produção estável por problemas de saúde se sucederam até 1987, quando gravou o ótimo "Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!" e ganhou seu terceiro disco de ouro. Foi nesse ano que começou uma parceria com o também baiano Marcelo Nova, vocalista da banda Camisa de Vênus, ao participar da música "Muita Estrela, Pouca Constelação". A parceria teria seu auge em 89, quando os dois gravaram o indefectível álbum "A Panela do Diabo" e fizeram uma série de mais de 50 shows pelo país. O LP foi lançado no dia 19 de agosto. Raul morreu dois dias depois, sozinho, em São Paulo. Mesmo depois de morto, Raul continuou a protagonizar histórias antológicas como a do seu próprio enterro que acabou se transformando num tumulto danado com 5 mil fãs querendo tirar o corpo do caixão.
O interesse pela obra de Raulzito reacende em novas gerações de fãs, que fazem questão de soltar a voz com o grito “Toca Raul”. Ainda hoje é possível ouvir o jargão em bares, pistas de dança e shows de rock. Um dos legados do roqueiro é parecido com o fenômeno que acontece com o "Rei do Rock" Elvis Presley: inúmeros sósias fazem questão de se vestir de forma idêntica a Raul e atuar fazendo covers do cantor. A sua confirmação, como mito do rock nacional, é frequente em homenagens no teatro, na TV, nas biografias e relançamentos de álbuns. TOCA RAUL!!!

“Raul - O Início, o Fim e o Meio” é um filme biográfico brasileiro de 2012 dirigido por Walter Carvalho e produção de Denis Feijão, com montagem de Pablo Ribeiro e roteiro de Leonardo Gudel baseado na vida e obra do cantor. O filme mostra a vida e obra do maior ícone do rock brasileiro, desvendando suas diversas facetas, suas parcerias com Paulo Coelho, seus casamentos e seus fãs, que ele continua a mobilizar mais de vinte e cinco anos depois de sua morte. “O início, o fim e o meio” desvenda o mito, mostrando o complexo e complicado homem por trás da figura do Maluco Beleza. O documentário não poupa nada. Mostra que ele era problemático com as esposas, que ele não foi bom pai, foi bom marido em alguns momentos. Teve momento que ele realmente foi porra-louca total e deixou tudo desandar. Absolutamente imperdível! Somente aqui, no nosso baú dos Beatles e da Cultura Pop, a gente confere inteirinho, na íntegra, em alto e bom som.

A PEDIDOS - SEAN LENNON - L'ECLIPSE

2 comentários:
Especialmente para minha amiga Ana Elizabeth (Beth) que fez aniversário dia 19. Beijão! Boa semana Planeta Beatles!!!

THE BEATLES - YOU'RE GOING TO LOSE THAT GIRL

4 comentários:

Os Beatles aparecem cantando “You’re Going To Lose That Girl” em uma cena de Help! que se passa no estúdio de gravação e foi feita no Twickenham Film Studios. A canção é interrompida quando a gangue que está perseguindo Ringo faz um buraco em volta da bateria e ela desaba. Escrita majoritariamente por John, mas concluída por Paul, “You’re Going To Lose That Girl” é um alerta para um cara não identificado de que se não começar a tratar a garota como deve, vai perdê-la para ele (John). Dessa forma ele desenvolve o tema esboçado pela primeira vez em ‘She Loves You’: “with a love like that, you know you should be glad”. Usando a conhecida batida Twist dos Beatles e variações de acordes doo-wop bem familiares, o vocal principal de Lennon é seguido por respostas de Paul McCartney e George Harrison em harmonias vocais entusiásticas, oferecendo um último vislumbre do estilo musical dos primeiros tempos dos Beatles.

PAUL McCARTNEY - TOO MANY PEOPLE

Nenhum comentário:
Essa vai especialmente aqueles que se acham donos da verdade absoluta. Aqui, ó!
"Too Many People", a música escolhida por Paul McCartney como faixa de abertura do seu álbum RAM de 1971, creditado a Paul e Linda McCartney foi composta em Campbeltown na Escócia em 1970. A música é conhecida pelas referências e críticas feitas a John Lennon e Yoko Ono, que na época davam entrevistas com o objetivo de desmitificar bruscamente a imagem dos Beatles. Na entrevista para a Playboy em 1984, Paul McCartney disse: "Eu estava ouvindo meu segundo álbum solo, Ram, outro dia e lembro que havia uma pequena referência a John no todo. Ele estava fazendo muita pregação, e ele levantou o nariz um pouco. Em um verso, eu escrevi: "Muitas pessoas pregam práticas". Isso foi uma pequena alfinetada em John e Yoko. Mas foi só isso. Não havia mais nada”.
Só que havia sim! O descontentamento de Paul em relação à atitude dos Lennons pode ser notado principalmente no trecho piss-of cake (termo vulgar para 'vão se danar', brincando com o termo piece of cake, que significa muito fácil em inglês), e no verso too many people preaching practices (muitas pessoas pregando atitudes). Too Many People era um ataque velado de McCartney contra os Lennons.
A resposta de Lennon veio da forma mais amarga e cruel em "How Do You Sleep?", presente no álbum Imagine, onde John Lennon diz com todas as letras que a música que Paul faz é "muzak" (canções tocadas em elevador) para seus ouvidos e que a única coisa que Paul fez de bom foi "Yesterday", e que desde que os Beatles foram pro espaço, suas músicas são desinteressantes ("The only thing that you done was 'yesterday'... and since you're gone you're just 'Another Day'). A roupa suja começava a ser lavada em público. As lanças apontadas mutuamente foram lançadas pelos dois homens na imprensa em grande parte dos anos 1970.Too Many People foi gravada pela primeira vez no Columbia Studios, em Nova York, em 10 de novembro de 1970. Overdubs foram adicionados em janeiro do ano seguinte no A & R Studios, e mais overdubs foram gravados no Sound Recorders Studios em Los Angeles em março / abril de 1971.
Too Many People saiu como lado B do single, que trazia “Uncle Albert / Admiral Halsey" no lado A e foi lançado lançado em 2 de agosto de 1971. O álbum RAM, foi lançado em 28 de maio de 1971, e Imagine em 8 de setembro do mesmo ano. Segundo o guitarrista Hugn McCracken, que participou das gravações, é o próprio Paul quem faz o solo sujo de guitarra ouvido no final da faixa.

JOHN LENNON - HOW DO SLEEP - COMO VOCÊ DORME PAUL?

2 comentários:

Em 1971, John Lennon conseguiu o sucesso que tanto precisava como artista-solo, com o álbum "Imagine", embora nunca tenha alcançado o primeiro lugar (curiosamente, só depois de sua morte). A faixa-título tornou-se um hino da paz no mundo inteiro. "Paz" essa que o próprio Lennon nunca viveu e nem experimentou, e que, neste álbum, deliberadamente ataca, de forma escancarada Paul McCartney na 8ª canção do disco "How Do You Sleep". John Lennon diz com todas as letras que a música que Paul faz é "muzak" (canções tocadas em elevador) para seus ouvidos e que a única coisa que Paul fez de bom foi "Yesterday" (tremenda contradição porque ele simplesmente a odiava), e que desde que os Beatles foram pro espaço, suas músicas são desinteressantes ("The only thing that you done was 'yesterday'... and since you're gone you're just 'Another Day').http://i2.wp.com/www.beatlesbible.com/wp/media/
Na época, o álbum "Imagine" vinha recheado de brindes, com um belíssimo encarte, um poster e uma foto em que John parodiava o álbum "Ram" de McCartney, segurando as orelhas de um porco. John alegou que Paul sempre o atacava sutilmente em seus discos (Paul admitiu que tinha feito referências a John no disco Ram) e que "How Do You Sleep" era uma resposta clara a essas provocações. Para o trauma ser ainda maior, Lennon, convocou para tocar a guitarra nessa musica, nada mais, nada menos, que um dos poucos amigos que ainda tinha (?): George Harrison que também era desafeto de Paul por causa da conturbada relação com Allen Klein. A letra, composta paralelamente, na mesma viagem de "Gimme Some Truth", faz ataques ao ex-amigo de todas as formas que se pode imaginar. Alguns até passavam despercebidos. "Those freaks was right when they said you was dead, The one mistake you made was in your head" - Aqueles malucos estavam certos quando disseram que você estava morto, o único engano que você cometeu foi dentro de sua cabeça. "Você vive com certinhos que dizem que você é rei". E por aí vai. "Um rosto bonito pode durar um ano ou dois, mas não demora e verão do que você é capaz". "O som que você faz é muzak para os meus ouvidos". "Você deveria ter aprendido algo todos esses anos".

FOTO DO DIA - JOHN LENNON - 1965

2 comentários:

domingo, 20 de agosto de 2017

PAUL McCARTNEY - COMING UP - ABSOLUTAMENTE DEMAIS!

Um comentário:
“Coming Up” foi gravada durante o verão de 1979 e lançada como single em 1980 atingindo o número 2 na parada do Reino Unido. Nos Estados Unidos e no Canadá, a versão ao vivo da canção interpretada por Paul McCartney e Wings (lançada como o lado B do single) teve um sucesso muito maior, chegando ao #1 nos EUA. “Coming Up” também foi a faixa escolhida por McCartney para abrir o disco “McCartney II”, que tornou-se conhecido por ser mais eletrônico e experimental.
O vídeo clipe de “Coming Up”, foi lançado em 17 de maio de 1980, no programa “Saturday Night Live”. No Brasil, foi exibido primeiro no Fantástico. No vídeo, Paul interpreta dez personagens distintos e Linda, dois, um deles, homem. Essas interpretações vão de Buddy Holly, Frank Zappa, Ron Mael, Andy Mackay, Ginger Baker, até ele mesmo, o próprio, como o Beatlezinho da época da Beatlemania. Inteligentemente, Paul batizou a suposta banda como “THE PLASTIC MACS”, fazendo uma paródia à Plastic Ono Band de Lennon. Por falar em John Lennon, foi depois que ele ouviu “Coming Up” que Lennon decidiu voltar para o mundo dos vivos. “Coming Up” chegou ao primeiro lugar das 100 mais da revista Billboard, sendo a única música de Paul, em carreira solo (sem os Wings), a conseguir tal feito. No Brasil, também fez um sucesso absurdo. O compacto com a música, com Comin Up ao vivo "Lunch Box-Odd Sox" no lado B, foi lançado dia 11 de abril de 1980. Eu comprei o meu compactozinho assim que saiu e ainda tenho até hoje. Na época, eu quase fiquei doido de tanto ouvir Coming Up. Esse meu disquinho, é a prova viva de que é impossível um disco de vinil furar. Em julho de 1980, foi a última vez que viajei com meus pais e irmão para Balsa no Maranhão. Só que antes da vigem, eu gravei uma fita cassete inteira de 60 minutos - 30 de cada lado, só com Coming. Minha família sofreu muito nessa viagem daqui pra lá no Corcel 1978 do meu pai. Tanto na ida, como na volta. Coming Up é para mim, com certeza, uma das 5 melhores músicas de Paul McCartney em sua carreira solo. Adoro!

PAUL MCCARTNEY – PAUL IS LIVE - 1993

Um comentário:

Paul Is Live é um álbum duplo ao vivo de Paul McCartney, lançado em 1993 durante a New World Tour divulgando o álbum Off the Ground. A capa arremeda a capa do álbum dos Beatles de 1969, Abbey Road. O título é uma resposta aos rumores da teoria da conspiração "Paul is dead". As diferenças intencionais entre as duas capas são:
O "LMW-281F" na placa do fusquinha - que era lido como "LMW-28 IF", significando “Linda McCartney Widow” (viúva) e que Paul teria 28 anos se ele estivesse vivo - foi editado para "51 IS", indicando que ele está vivo e que em 1993, tinha 51 anos. McCartney está usando sapatos; Em Abbey Road, ele aparece com os pés descalços. Seu pé esquerdo está para a frente. Na capa original, o pé direito de McCartney estava para frente, único com passo diferente dos outros. Ele segura um cão pela coleira na mão esquerda; Uma vez que ele é canhoto, muitos acreditavam que era outra prova de que estava morto, já que em Abbey Road era o cigarro que ele segurava na mão direita. O carro da polícia que aparecia em Abbey Road á direita, foi removido. O cachorro que aparece na capa é Arrow, uma das crias de Martha, o cão que foi a inspiração para o título da música "Martha My Dear". A foto da capa é a mesma da sessão de fotos da capa Abbey Road feita pelo fotógrafo Iain Macmillan. Os retoques e manipulações foram feitos pelo artista CGI Erwin Keustermans, que apagou os Beatles e aplicou McCartney e o cachorro, numa foto de Linda McCartney.
Posteriormente, McCartney deu um importante intervalo em sua carreira solo para começar a trabalhar no enorme projeto da Antologia dos Beatles no início de 1994 com George Harrison, Ringo Starr e George Martin. Isso levou grande parte do seu tempo pelos próximos dois anos, até Flaming Pie, de 1997. Curiosamente esse é o disco ao vivo com pior desempenho nas paradas da carreira de Paul.
Assim como o CD, o DVD foi gravado em shows na Austrália e USA. O setlist é permeado com faixas do Off The Ground, mesclado obviamente com hits da carreira solo de Paul, do Wings e dos Beatles. A banda de apoio da época era bem diferente da atual, tendo apenas Paul “Wix” Wickens (tc) como único membro que continua com Paul até hoje, fora ele a banda era composta por Robbie McCintosh, Hamish Stuart, Blair Cunningham e Linda McCartney. Aqui, a gente confere o filme inteiro. Abração, Planeta Beatles!

THE BEATLES IN MEMPHIS - 1966

Nenhum comentário:

O oitavo dia da 3ª e última excursão dos Beatles pelos States teve lugar no Mid-South Coliseum em Memphis, Tennesseeterreiro de Elvis Presley -  no dia 19 de agosto de 1996, onde eles realizaram dois concertos. O Mid-South Coliseum, foi capaz de acomodar 22.500 pessoas. Para o primeiro show, que começou às 16h00, os Beatles foram vistos por 10 mil pessoas; a segunda começou às 20h30 e foi assistido por 12.500. Entre os astros de apoio estavam Bobby Hebb, The Cyrkle e The Ronettes. O contrato era para que os Beatles tocassem, no mínimo 11 músicas: Rock And Roll Music , She’s A Woman , If I Needed Someone , Day Tripper , Baby’s In Black , I Feel Fine , Yesterday , I Wanna Be Your Man , Nowhere Man , Paperback Writer e Long Tall Sally.Essa última excursão do Beatles pelas terras do Tio Sam foi cercada de muita controvérsia decorrente pelos comentários de John Lennon de que os Beatles eram mais populares do que Jesus. Apesar de terem procurado minimizar a declaração em conferências de imprensa e entrevistas, houve muita oposição a eles, que se manifestaram em, boicotes e protestos do lado de fora das rádios locais e a queima de milhares de discos.
Os sentimentos anti-Beatles foram particularmente mais fortes no chamado “Cinturão Bíblico dos Estados Unidos”, e um pregador local, o reverendo Jimmy Stroad, fez uma manifestação em frente ao Mid-South Coliseum. Vários membros da Ku Klux Klan também aterrorizavam o local com aquelas roupas e máscaras bizarras.Durante seu segundo concerto Memphis um evento que, posteriormente, tornou-se conhecido como o incidente de 'Cherry Bomb' ocorreu. Um foguete bomba de jujuba foi jogado no palco. Os Beatles se entreolharam, pensando que um tiro havia sido disparado e querendo saber quem tinha sido atingido. O concerto foi gravado por dois adolescentes; a fita (que não temos!) revela que a explosão ocorreu durante “If I Needed Someone” , e os Beatles terminaram a música com maior urgência possível escoltados pela polícia. Depois que foram embora, vários carros foram usados para tentar enganar os fãs sem resultados. Mesmo assim, conseguram serem levados direto para Aeroporto Metropolitano de Memphis, de onde voaram para Cincinnati, Ohio, chegando lá de madrugada.

PAUL MCCARTNEY: GENIAL E INSEGURO?

Nenhum comentário:
Por Hagamenon Brito - correio24horas.com.br
As eternas dúvidas de personalidade. Levamos uma vida a ser quem os outros querem que sejamos, ou melhor, o que os outros pensam que somos. Acontece que na vida dos pobres mortais amanhã é outro dia e a vida, com todas as suas contas a pagar, afetos e contradições de mesas de bar e, agora, redes sociais, continua a nos chamar. Bem diferente e infinitamente mais complexa é a situação de um mega star como o cantor e compositor inglês Paul McCartney, 75 anos, uma das maiores referências da música e da cultura popular desde os tempos dos Beatles, nos anos 1960. E aí chovem linhas, promovem-se mentiras e contam-se histórias nem sempre confortáveis - e isso muito antes do surgimento da internet. A tênue linha de (des)entendimento de Paul e John Lennon, por exemplo, nos foi revelada, também, pela mão do grande e premiado jornalista Philip Norman, 74, no livro Shout! The Beatles in Their Generation, em 1981. Episódio importante para entender melhor Paul McCartney - A Biografia (Cia das Letras | R$ 89,90/papel | R$ 44,90/e-book | 824 páginas). Na biografia Shout! sobre a banda, inédito até hoje no mercado editorial brasileiro, um passional Philip Norman descrevia os Beatles como resultado da genialidade musical de Lennon (“John Lennon era três quartos dos Beatles”), enquanto McCartney era considerado o homem das circunstâncias, pseudo porta-voz dos Beatles, mas que não passava de uma estrela pop de talento razoável. Tais afirmações não caíram bem a McCartney, claro, numa digestão que se adivinharia adversa a qualquer mortal. Por isso, o próprio Norman, autor de livros também sobre John Lennon, Rolling Stones, Mick Jagger e Elton John, ficou surpreso quando pediu a McCartney autorização para escreveu a sua biografia e este não lhe esticou o dedo do meio. Daí a achar que Sir James Paul McCartney - que faz show dia 20 de outubro, na Arena Fonte Nova -, iria estender a mão, esperar que Philip Norman apertasse o play do gravador e lhe contasse a vida toda vai uma distância. Seria bom-mocismo demais, convenhamos. O que o músico fez foi autorizar e não colaborar diretamente, ou seja, o escritor teve que recorrer a amigos e familiares do biografado para recolher testemunhos. Em certa medida, Paul McCartney - A Biografia é uma espécie de redenção de Norman, onde ele aponta o espelho para um homem maior, cujo caráter mediano, sempre seguro em seus atos e com “talento pop razoável”, são coisas do passado, equívocos do próprio autor. McCartney agora aparece em toda a sua plenitude e complexidade - de artista de enorme talento musical a homem de família e empresário, com a dor de aguentar a morte da mãe enquanto jovem, superada por um pai que o atirou para o mundo onde, afinal, se revelaria dono e senhor. Também se aborda a quase morte de Paul na África, os nove dias de prisão em Tóquio, em 1980, por porte de maconha (com medo de ser estuprado, ele cantava seus hits para ganhar a amizade dos outros presos) e a complicada relação com Lennon. A humanização do biografado é uma das maiores qualidades da obra. Tido como um eterno bom-moço, Paul é tão fascinante quanto complexo e Norman aborda os traços fortes de autoritarismo e autopromoção na personalidade do artista, bem como o sexismo dos Beatles e a avareza do mais célebre dos seus sobrevivente. Se é verdade que ele e Yoko Ono até hoje se detestam, mais curioso é saber que Paul fumou maconha diariamente até depois dos 60 anos. Parou para não dar mau exemplo à filha pequena, Beatrice, hoje com 13 anos. E saber também que a união de três décadas com Linda (1941-1998), sua mulher mais famosa, não era um mar de rosas como se imaginava. Paul, por exemplo, interrompeu um projeto de autobiografia de Linda com o argumento de que na família só existia uma estrela: ele. Foi mesquinho, no mínimo. Mas, como diria o filósolo alemão Friedrich Nietzsche, tudo é humano, demasiadamente humano. Paul McCartney, senhores, merece todo o respeito e admiração. No livro Paul McCartney - A Biografia, o Philip Norman conta que o músico foi tomado por uma grande insegurança nos anos seguintes à separação dos Beatles, chegando mesmo a ficar depressivo. Nessa fase, em que contou com o apoio fundamental da esposa e companheira da banda Wings, Linda, ele acreditava que não conseguiria fazer sucesso sem John Lennon, Ringo Starr e George Harrison. Logo, ao estrear solo, ele veria que estava errado, algo que o tempo, os fãs e a crítica reforçariam diante da qualidade pop de canções como Another Day, My Love, Jet, Live and Let Die, Mrs. Vandebilt e Let’em In. Todas elas presentes na ótima coletânea Pure McCartney, de 2016, com 67 canções da carreira do ex-Beatle desde seu álbum de estreia solo, editado em 1970, e escolhidas pessoalmente por ele. “Surgiu a ideia, minha e da minha equipe, de reunir uma coleção das minhas gravações tendo somente em mente ter algo divertido para escutar”, disse o cantor sobre este projeto. Entraram também gravações recentes de Paul, Save Us, do ótimo álbum New, de 2013; o remix de 2015 de Say Say Say (sua parceria com Michael Jackson); e Hope for the Future, de 2014, incluída no videogame Destiny. “Fico satisfeito, e frequentemente me surpreendo, que tenha me envolvido na composição e gravação de tantas canções, cada uma delas tão diferentes das outras”, acrescentou McCartney após analisar seu repertório. Juntando Beatles e sua carreira solo, estima-se que Paul já vendeu 700 milhões de álbuns.

BRIAN SETZER - THE KNIFE FEELS LIKE JUSTICE

Nenhum comentário:

Especialmente em homenagem ao meu saudoso amigo João Neiva.
Não deixe de conferir a sensacional postagem BRIAN SETZER - PURO ROCK AND ROLL! de 10 de abril de 2010.

THE BEATLES - EIGHT DAYS A WEEK - SENSACIONAL!

Nenhum comentário:
EIGHT DAYS A WEEK – A MÚSICA
John sempre afirmou que “Eight Days A Week” foi escrita por Paul como uma possível faixa-título para a sequência do filme A Hard Days Night. O diretor Dick Lester diz que não, com base no fato de “Eight Days A Week” ter sido gravada em outubro de 1964. As filmagens de Help! só começa­ram no final de fevereiro de 1965. Segundo ele, é pouco provável que pensassem sobre o filme tão antecipadamente. “O segundo filme deve­ria se chamar Help, mas o título já tinha sido registrado por outra pessoa”, afirma Lester, “Nós o chamamos inicialmente de Beatles II e depois de Eight Arms To Hold You, mas a possibilidade de escrever uma música cha­mada ‘Eight Arms to Hold You’ assustou a todos. Por isso pensamos ‘dane-se, vamos correr o risco’, porque as leis de registro eram muito vagas. Decidimos colocar um ponto de exclamação para nos diferenciar do título já registrado.” Paul ouviu a expressão “eight days a week” de um motorista que um dia o levou à casa de John. Quando Paul perguntou se ele andava ocupado naqueles dias, o motorista respondeu: “Ocupado? Eu trabalho oito dias por semana”. Quando chegaram a Weybridge, onde John vivia, Paul contou a John que tinha o título para a canção que iam escrever naquele dia. O DJ americano Larry Kane, que acompanhou os Beatles na tumê de 1964 pelos EUA, diz em seu livro que viu o grupo trabalhar na música durante um voo entre Dallas e Nova York. “Eight Days A Week”, a primeira faixa a ser gravada com fade-in, estava sendo avaliada como single na Inglaterra até John escre­ver “I Feel Fine”. Nos EUA, foi lançada logo depois de “I Feel Fine” atingindo diretamente o posto número 1.

THE BEATLES - HELP! EM CORES - SENSACIONAL!

Um comentário:

sábado, 19 de agosto de 2017

THE BEATLES - PAUL McCARTNEY - BLACKBIRD

2 comentários:

"Blackbird" é uma canção dos Beatles composta por Paul McCartney, creditada à dupla Lennon & McCartney. Foi lançada no álbum The Beatles (Álbum Branco) de 1968. A canção foi gravada em 11 de junho de 1968 apenas por Paul McCartney.
McCartney revelou que o acompanhamento do violão foi inspirado em "Bourée em mi menor" de Bach. A música de Bach era originalmente para violão clássico, instrumento que Paul e George Harrison tentaram aprender na juventude (mas só aprenderam mesmo com Donovan na Índia), portanto é caracterizada pela melodia em notas graves de baixo tocadas simultaneamente com cordas agudas e graves. McCartney decidiu alterar algumas notas de Bach, criando a base para Blackbird.
A letra é uma metáfora sobre os conflitos raciais e direitos civis na América, principalmente da situação das mulheres negras. Paul leu uma notícia no jornal que relatava os conflitos raciais nos Estados Unidos, e o sofrimento de mulheres negras para ingressar na sociedade. A música é uma espécie de apoio e o melro-preto simboliza a mulher negra. Quando ele diz: "Pássaro preto, pegue essas asas quebradas e comece a voar" é como se fosse um conselho, do tipo: levante! Tome uma atitude! "Por toda sua vida você só esperou esse momento pra ser livre."
A canção foi gravada em 11 de junho de 1968 no Abbey Road Studios, com George Martin na produção e Geoff Emerick como engenheiro de som. McCartney toca um violão Martin D28. A faixa inclui um som de um autêntico melro-preto (Blackbird) cantando no final. A estrutura da canção não é usual, trazendo três versos que transgridem de 3/4, 4/4 e 2/4 na construção métrica. È na escala de Sol e é tocada com um estilo único de dedilhado e vibrato nas notas graves. A canção foi gravada apenas por Paul, que canta e toca o violão. Foi a pedido dele que foi colocado um microfone no assoalho do chão do estúdio, para que se ouvissem suas batidas ao estilo folk.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

JOHN LENNON - WHATEVER GETS YOU THRU THE NIGHT

2 comentários:

"Whatever Gets You Thru the Night" é uma canção composta por John Lennon, lançada em 1974 como single e é também a segunda faixa do álbum "Walls and Bridges", também de 1974. A gravação da música contou com a colaboração de Elton John. Um fato interessante foi que, Lennon era extremamente pessimista em relação a reação do público com esta faixa, porém, Elton John sempre apostou com ele que a música chegaria ao primeiro lugar nas paradas americanas. A aposta era que, se "Whatever Gets You Thru the Night" ficasse em primeiro lugar, John Lennon apareceria "ao vivo" em um dos shows de Elton para tocarem a música. No dia 16 de novembro de 1974, "Whatever Gets You Thru the Night" alcançou o 1º lugar. John Lennon cumpriu a aposta na noite de 28 de novembro de 1974, dia de ação de graças, no Madison Square Garden. Da gravação original em estúdio, participaram: John Lennon - vocal, guitarra; Elton John - harmonia vocal, piano; Ken Ascher - clavinet; Jesse Ed Davis - guitarra; Arthur Jenkins - percussão; Jim Keltner - bateria; Bobby Keys - saxofone; Eddie Mottau - violão e Klaus Voormann - baixo.

A PEDIDOS - GEORGE HARRISON - FASTER

Um comentário:

RINGO STARR - A NOITE DE ESTREIA DA ESTRELA

3 comentários:

Apenas dois dias depois que Pete Best foi demitido, os Beatles fizeram seu primeiro show oficial com seu mais novo baterista, o melhor de Liverpool - Ringo Starr. O concerto ocorreu no Hulme Hall em Birkenhead – do outro lado do rio Mersey - em 18 de agosto de 1962.
Existe muita controvérsia entre vários autores sobre a verdadeira data da estreia de Ringo Starr nos Beatles. A maioria afirma que foi no dia 18 de agosto de 1962. Outros dizem que a apresentação foi no dia 19 e outros ainda, que teria sido no dia 28. Nem o próprio Ringo sabe com certeza. Seja como for, aqui vai mais essa homenagem ao nosso velho amigo melhor baterista de todos os tempos onde Bob Spitz, autor de "The Beatles - A Biografia", narra como foi a noite de estreia da estrela. Abração!
“Os Beatles tinham mais do que um pressentimento de que estavam a apenas um homem de se tornarem grandes. Eles haviam crescido incrivelmente como músicos desde que se reuniram, e era impossível não reconhecer aonde tinham chegado. Eles haviam se tornado progressivamente não apenas melhores, mas também mais técnicos e versáteis. Havia certa singularidade na forma como tocavam, uma inventividade para transformar mesmo os temas mais simples em algo original e criativo. Muito disso aconteceu sem grande premeditação. Alguém tocava um acorde, fosse experimentação ou acidente, e era como se um alarme soasse. Parte disso era talento nato. Paul aprendia a tocar instrumentos como algumas pessoas aprendem novas línguas: tinha ouvido para a coisa, e colocava os acentos certos nos lugares certos. E George, em especial, se embrenhava nas complexidades dos fundamentos e da técnica musical. Ambos tocavam suas guitarras com uma confiança impressionante e tinham o poder de fazê-las soar como Maseratis. John tinha todo o resto: a sensibilidade e o gosto certos. E tudo se encaixava com estilo e atitude. Menos o baterista. John, Paul e George já sabiam o que queriam: RINGO - O melhor baterista de Liverpool! Porém, nenhum deles teve coragem de contar para Pete Best que estava fora. Brian faria o serviço sujo.”É improvável que a elegância de Brian tenha exercido qualquer efeito consolador sobre Pete. Aquilo o tomou tão de supetão, de modo tão inesperado, lembra Pete, que “minha cabeça entrou em parafuso”. Todo aquele tempo dedicado aos Beatles, a suposta amizade, os sonhos. E agora aquilo acontecia, às vésperas da assinatura de um contrato de gravaçãp. Ele considerou aquilo “uma facada pelas costas”. Em parte para neutralizar a raiva de Pete e em parte para continuar nas boas graças do rapaz, Brian se propôs a formar um novo grupo, que seria liderado por Pete. Enquanto Pete saía silenciosamente do escritório, Brian teve sangue-frio suficiente para pedir que ele tocasse nas três últimas apresentações antes de Ringo se juntar aos Beatles. E, talvez num momento de irreflexão, Pete concordou. Se Brian acreditou, foi porque não havia dúvida, para ele ou para qualquer outra pessoa, de que Pete honraria sua palavra. No entanto, seu sofrimento era tão pesado quanto seu desempenho na bateria. A promessa era vazia, nada mais do que um meio para sair dali.A estreia de Ringo com os Beatles em Liverpool, em 18 de agosto de 1962, não repercutiu na cena pop e não foi o motor que os propulsou para o estrelato. Somente mais tarde, vista a situação em retrospecto, ele iria adquirir seu status mítico. Ninguém foi mais afetado pelo que acontecera do que Ringo. Ele ouviu o clamor dos fãs nos dias que precederam a apresentação no Cavern. A revolta tomava os salões de baile e os bares - e também as escolas, onde havia uma onda de veneração por Pete. Até nas lojas de discos ocorriam discussões e murmúrias constantes. Uma hora antes de se apresentar, Ringo se refugiou no White Star para uma cerveja terapêutica e desmoronou na mesa onde estavam os Blue Jeans. Eles sabiam que o baterista estava “aterrorizado”. Até mesmo a aparência dele, com um pequeno cavanhaque e o cabelo liso penteado para trás, demonstrava inquietação, como se Ringo estivesse infringindo alguma lei. “Ficamos com pena dele por estar tão nervoso”, lembra Ray Ennis.A maioria das pessoas que foram ao show compartilhou a reação de Colin Manley: “senti pena deles; a platéia estava revoltada com a saída de Pete que não os deixava tocar”. “Desde o momento que as portas se abriram”, lembra Woller, “a multidão gritava: “Pete forever, Ringo never!”; todos estavam doidos por uma confusão.” Desde o instante que os Beatles subiram ao palco, gritos irados explodiram: “Onde está Pete?”, “Traidores! Queremos Pete!” Algumas pessoas apoiaram a mudança. A certa altura, as duas facções começaram a investir uma contra a outra, com olhos ferozes e punhos cerrados. “Fora Ringo!”, “Pete is Best!” Ringo, meio escondido por trás da bateria, ficava mais tenso a cada explosão de raiva.De qualquer maneira, todos os Beatles agiram como se nada estivesse acontecendo. E, levando em conta as circunstâncias, Ringo segurou bem a situação. Ele se adaptou perfeitamente ao estilo cru e direto dos Beatles, imprimindo força ao ritmo sem deixar de lado a energia do conjunto. Provavelmente ninguém apreciou mais isso do que Paul, cujas belas linhas de baixo haviam sido estranguladas pela mão pesada de Pete, enquanto Ringo as complementava, dando a Paul um ritmo muito mais consistente. Durante um momento especialmente tenso, George, do palco, ordenou a alguns indivíduos importunos para “fechar a matraca”. No fim, quando saiu do camarim pelo corredor cheio de gente, alguém lhe deu uma cabeçada no rosto, deixando-o com um enorme hematoma abaixo do olho esquerdo. George encarou a situação com tranquilidade, mas Brian Epstein, já em tom quase histérico, mandou o porteiro peso-pesado do Cavern, Paddy Delaney, escoltar a banda para o andar de cima, alegando falta de segurança.” Bob Spitz.Mesmo que os Beatles já fossem a primeira banda de Liverpool a ter um contrato de gravação, eles ficaram impressionados com Starr. "Realmente começamos a pensar que precisávamos do maior baterista em Liverpool", disse Paul McCartney, também no Anthology. "E o maior baterista era um cara, Ringo Starr, que mudou seu nome antes de qualquer um de nós, que tinha barba e era conhecido por ter um Zephyr Zodiac"Qualquer controvérsia em torno da entrada de Ringo logo se apagou. Durante o show da hora do almoço no Cavern em 22 de agosto, o grupo foi filmado pela TV Granada tocando "Some Other Guy" para o programa Know the North. Quando os Beatles, terminam a música, é possível ouvir alguém gritando: "We want Pete" - (Queremos Pete).

O FIM DA LINHA PARA PETE BEST

Um comentário:


No dia 16 de agosto de 1962, quando as coisas começavam a ir bem para os Beatles, quando receberam uma proposta de contrato da gravadora EMI e produziam seu primeiro disco, o empresário Brian Epstein chamou Best e avisou que seus companheiros de banda tinham decidido substituí-lo por Ringo Starr. "Fomos covardes. Passamos o trabalho sujo para Epstein", recordou Lennon muitos anos depois. Desde então, Best nunca mais falou com nenhum dos Beatles. Mesmo tendo ficado deprimido depois de ter sido expulso da banda, chegando ao ponto de tentar suicídio, o ex-baterista vive feliz, tranquilo e explica que se sente uma pessoa com sorte e que não guarda rancores.“As pessoas esperam que eu seja ácido e enraivecido, mas não é assim. Me sinto sortudo. Só Deus sabe quantos problemas os Beatles enfrentaram. Quando me expulsaram, nenhum de nós sabia o que iria acontecer. É verdade que as pessoas diziam que nós seríamos mais famosos que o Elvis, mas eu não acreditava e acho que eles também não".
Pete Best está com 75 anos e em ótima forma. Faz apresentações por todo o mundo com sua “PETE BEST BAND” e é sucesso por onde passa - já esteve várias vezes no Brasil. Aqui embaixo, a gente confere Pete em dois momentos: com The Pete Best Band tocando "Gone" do excelente ábum Heyman's Green e com a banda The Beats quebrando o cacete com "My Bonnie". Valeu Pete, até mais!

IMAGEM DO DIA - SÃO BEATLES

2 comentários:

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

THE BEATLES - A 1ª TEMPORADA EM HAMBURGO

2 comentários:

A Conexão Hamburgo
The Royal Caribbean Steel Band aceitou um convite para se apresentar em um clube de Hamburgo no final de junho; certa noite, sem informar Allan Williams, o dono do Jacaranda, simplesmente a ban­da não apareceu para tocar. Pouco depois, os músicos, entusiasmados, escreveram para Williams dizendo que havia um mercado muito bom para bandas britânicas em Hamburgo e insistiram para que ele fosse até lá. Williams, sempre a procura de novas oportunidades, foi para Ham­burgo com seu amigo lorde Woodbine, onde conheceu Bruno Koschminder, dono do Kaiserkeller. Como contratar bandas de rock‘n’roll ameri­canas era muito caro, Kosch­minder ficou maravilhado ao saber que podería contratar grupos de rock britânicos a um custo mais baixo. No fi­nal de julho, Williams enviou a Hamburgo um dos grupos que empresariava, o Derry & The Seniors, para uma tem­porada no Kaiserkeller.
No dia 12 de agosto de 1960, John, Paul e George participaram do teste de Pete para ser o bateris­ta da banda e ir para Hamburgo. Como Pete era a única esperan­ça de conseguirem um baterista e, consequentemente, o contrato, ele passou no teste. O grupo mudou seu nome para The Beatles, pouco antes de partirem para a 1ª temporada em Hamburgo. No dia 16 de agosto, os Beatles, Allan Williams e sua mulher, acompanhada do irmão e lorde Woodbine, partiram de Liverpool rumo a Hamburgo na velha perua Austin, de Williams. Pararam em Londres para pegar mais um passageiro, o austríaco Herr Steiner, que trabalhava no bar Heaven & Hell, em Old Compton Street, e ser­viria de intérprete de Koschminder. A próxima parada da trupe seria em Harwick, para pegar a balsa para Hook, na Holanda.
Há exatos 57 anos, na manhã do dia 17 de agosto de 1960, John, Paul, George, Stuart Sutcliff e Pete Best e “companhia” desembarcaram em Hamburgo pela primeira vez. Naquela mesma noite eles fariam seu primeiro show na cidade, dando início à fase de amadurecimento que culminaria no sucesso mundial. O contrato entre Alan Williams, da Jacaranda Enterprises, e Bruno Koschminder é assinado, de acordo com o qual a banda The Beatles, com cinco integrantes, receberia 30 marcos por dia de trabalho. O grupo começou a se apresentar imediatamente no clube Indra, - em Grosse Freiheit, n. 58. Deveram tocar sete noites por semana, das 20h às 21h; das 22h às 23h; das 23h às 24h; e da 1h às 2h. Aos sábados faziam a primeira apresentação das 19h às 20h; depois tocavam das 21h às 22h; das 22h às 23h; das 24h à 1h; e da 1h às 3h. Aos domingos, começavam à tarde, apresentando-se das 17h às 18h; das 18h30 às 19h30; das 20h às 21h; das 21h30 às 22h30; das 23h às 24h; e das 24h30 à 1h30.
John, Paul, George, Stuart e Pete desembarcaram em Hamburgo em 17 de agosto de 1960. Naquela noite eles fariam seu primeiro show na cidade, dando início à fase de amadurecimento que culminaria no sucesso mundial. Em 1966, os Beatles voltariam a tocar em Hamburgo, cidade que marcara o início da carreira. Deve ter sido uma experiência e tanto para os cinco garotos de Liverpool: na manhã de 17 de agosto de 1960, os músicos, que somente há pouco se apresentavam sob o nome The Beatles, chegaram a Hamburgo, desembarcando num ambiente no mínimo peculiar. O bairro era St. Pauli, cheio de bordéis, casas de strip stease e bares de marinheiros. E foi num desses locais, o Indra, que John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Stuart Sutcliffe e Pete Best fizeram, já naquela noite, sua primeira apresentação na cidade alemã, para um público formado por prostitutas e seus clientes. Os Beatles ainda eram desconhecidos e estavam muito longe do sucesso que alcançariam anos mais tarde como os "quatro fabulosos". E eram também bastante jovens. O mais velhos dos cinco, Sutcliffe, mal havia completado 20 anos. O mais novo, Harrison, tinha 17 – e escondia a idade. Foi o empresário Alan Williams quem agenciou os primeiros shows dos Beatles em Hamburgo. A proposta era tentadora: 100 libras por semana, equivalente hoje a mais ou menos 3.000 euros. "Depois de tocar, eles costumavam voltar para tomar um café com torrada. Se você quisesse torrada com marmelada, tinha de pagar um penny a mais. Ainda posso ver Paul McCartney dizendo a John Lennon: 'Você está louco, isso custa um penny a mais!' E olhe só quanto dinheiro ele possui hoje", relata Williams. Os Beatles tocavam todas as noites, até oito horas seguidas. No Indra, eles dividiam o palco com as strippers – quando a banda fazia uma pausa, era a vez de as garotas subirem ao palco para fazer sua performance. O proprietário do Indra era Bruno Koschmider, então um dos principais empresários da noite de Hamburgo. Além de vários clubes, ele era dono de um cinema, o Bambi Kino, que exibia filmes pornôs. Foi atrás do telão do Bambi Kino que Koschmider acomodou os Beatles. O beatlemaníaco Ulf Krüger, que fez amizade com a banda na época, fala de dois cômodos sem janelas, pouco iluminados, ao lado do banheiro masculino. "A área desse alojamento era de 16 metros quadrados. Os músicos dormiam em antigas camas de campanha. Como lavabo eles usavam a pia do banheiro masculino que ficava ao lado", relembra Krüger. Do Indra os Beatles foram para um clube maior, o Kaiserkeller, também de propriedade de Koschmider. O primeiro show deles no novo palco foi em 4 de outubro de 1960, e eles se apresentariam lá até o final do mês, quando abandonaram definitivamente Koschmider. O novo clube era o Top Ten. O dono, Peter Eckhorn, oferecia mais dinheiro, um equipamento de som melhor e – principalmente – um lugar descente para dormir. A rescisão do contrato com Koschmider originou uma das histórias mais antológicas da primeira passagem dos Beatles por Hamburgo: quando McCartney e Best voltaram ao Bambi Kino para pegar suas coisas, encontraram o local na maior escuridão. Eles então penduraram uma camisinha num prego na parede do local e tocaram fogo nela. Não houve maiores danos, mas Koschmider registrou queixa na polícia por tentativa de incêndio. McCartney e Best foram detidos, passaram algumas horas na prisão e acabaram deportados no início de dezembro. Por ser menor de idade, esse também já havia sido o caso de Harrison. Koschmider também o havia delatado. O único dos Beatles a ficar em Hamburgo foi Sutcliffe. Ele preferiu ficar com a namorada, a alemã Astrid Kirchherr, e só voltou para Liverpool em janeiro. Sutcliffe optaria em definitivo por Hamburgo em abril de 1961, quando os Beatles voltaram para uma segunda temporada de apresentações no Top Ten. Ele deixou a banda para estudar arte e viria a falecer um ano depois, pouco antes da terceira temporada de shows dos Beatles na cidade. Em 1962 os Beatles fariam mais três temporadas em Hamburgo, desta vez no Star-Club. A primeira foi em abril, a segunda, em novembro e a terceira, em dezembro. Estudiosos e beatlemaníacos são unânimes em afirmar que os anos em Hamburgo marcaram o amadurecimento dos Beatles – as noites seguidas de apresentações desenvolveram as habilidades performáticas dos músicos e os transformaram numa banda coesa. "Nosso ponto alto como live band alcançamos em Hamburgo", diria Harrison mais tarde. "Nós tínhamos que ser muito bons como banda para tocar oito horas todas as noites". Ou, nas palavras de Lennon: "Não teríamos nunca evoluído tanto se tivéssemos ficado em casa. Eu posso ter nascido em Liverpool, mas me tornei um adulto em Hamburgo".